Profilaxia no viajante
Existe uma nova geração de agentes profilácticos mais eficazes e com menos efeitos secundários.
A compreensão da memória imunitária, os receios acerca da pureza das vacinas e as formas de ma lária resistentes, impulsionaram no seu conjunto a criação dos novos agentes.
Memória Imunitária
A maioria das vacinas para viajantes exerce o seu efeito protector através da indução da produção de anticorpos. Apesar de este ser um aspecto importante, tem havido recentemente um aumento da tónica sobre o papel da memória imunológica. Esta é geralmente de longa duração e necessita de ser reforçada. A função de memória depende das células B. São estabelecidos conjuntos de células B com uma elevada duração, que podem posteriormente ser induzidos por um reforço antigénico, produzindo grandes quantidades da IgG específica. Esta resposta secundária acontece às 48 horas, em vez das 10 a 14 da inoculação primária.
No caso de doenças com um período de incubação muito curto, em que a multiplicação do organismo infeccioso é rápida, a memória imu nológica não tem tanta importância, sendo os elevados níveis de anticorpos no momento da infecção fundamentais. Exemplos destas infecções são a meningite meningocócica, a encefalite viral e a gripe.
Por outro lado, em doenças como a hepatite B, com grandes períodos de incubação, a memória imunológica desempenha um papel muito importante, já que é estimulada pelo vírus, que se desenvolve lentamente. Por exemplo, um veterinário que trabalhe em África e que possa estar exposto, sem o saber, a uma doença como a raiva, iria requerer grandes quantidades de anticorpos durante todo o período em que está em risco. No entanto, para um viajante que vá regularmente ao subcontinente indiano em negócios, a memória imunológica seria o prin cipal requisito, pois caso fosse mordido no futuro, um regime simples de pós-exposição, com duas injecções, conferiria uma cobertura imediata.
Redução dos Efeitos Secundários
Adjuvantes
A eficácia do antigénio contido na vacina pode ser aumentada se o ligarmos a um adjuvante, como um sal de alumínio. Os receios acerca dos efeitos secundários dos adjuvantes residuais têm vindo a aumentar. Um estudo multicêntrico, recente, revelou que uma entidade há pouco definida, a miofascite macrofágica, caracterizada por artromialgias difusas e fadiga, está fortemente associada à administração de vacinas à base de alúmen.
Há já alguns anos que os fabricantes de vacinas têm tentado substituir o alúmen como adjuvante. As vacinas mais recentes utilizam veículos imuno-estimulantes que são prontamente degradados e metabolizados quando a sua função é cumprida.
Espera-se o aparecimento de uma nova geração de vacinas nos próximos anos. Os veículos variam desde as proteínas (como as que se podem encontrar nas vacinas polissacarídeas conjugadas, como a meningocócica C), até virossomas reconstituídos da gripe. Em muitos casos, ainda não está provado que a remoção dos sais de alumínio nas novas vacinas leve a uma redução dos efeitos secundários locais, mas é provável que o faça.
Tiomersal
Têm ocorrido grandes progressos na melhoria da pureza dos antigénios presentes nas vacinas. No entanto, nos EUA, surgiram receios acerca dos potenciais efeitos secundários do conservante tiomersal. Os receios abrangem duas áreas: a neurotoxicidade e sensibilização.